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A liturgia não pode ser produzida por nós!



A liturgia é para nosso alimento, alento e transformação espiritual: ela nos cristifica, isto é, é obra do próprio Cristo que, na potência do Espírito, nos dá sua própria vida, aquela que Ele possui em plenitude na Sua humanidade glorificada no céu. Participar da liturgia é participar das coisas do céu, é entrar em comunhão com a própria vida plena e glorificada do Cristo nosso Senhor.

A liturgia não é feita produzida por nós, não é obra nossa! Ela é instituição do próprio Senhor. Para se ter uma ideia, basta pensar em Moisés, que vai ao faraó e lhe diz: “Assim fala o Senhor: deixa o meu povo partir para fazer-me uma liturgia no deserto”. E, mais adiante, explica ao faraó que somente lá, no deserto, o Senhor dirá precisamente que tipo de culto e que coisas o povo lhe oferte.
Isto tem a ação litúrgica de específico e encantador: não entramos nela para fazer do nosso modo, mas do modo de Deus; não entramos nela para nos satisfazer, mas para satisfazer a vontade de Deus. Por isso digo tantas vezes que o espaço litúrgico não é primeiramente antropológico, mas teológico: a liturgia é espaço privilegiado para a manifestação e atuação salvífica de Deus em Cristo Jesus nosso Senhor. Nela, a obra salvífica de Cristo é perenemente continuada na Igreja.
O problema é que entrou em certos ambientes da Igreja uma concepção errada de liturgia, totalmente alheia ao sentido da genuína tradição cristã: a liturgia como algo que nós fazemos, do nosso modo, a nosso gosto, para exprimir nossos próprios sentimentos. Numa concepção dessas, o homem, com seus sentimentos, gostos e iniciativas, é o centro e Deus fica de lado! Trata-se, então, de uma simples busca de nós mesmos, produzida por nós mesmos; uma ilusão, pois aí só encontramos a nós e os sentimentos que provocamos. É o triste curto-circuito: faz-se tudo aquilo (coreografias, palmas, trejeitos, barulho, baterias infernais, sorrisinhos do celebrante, comentários e cânticos intimistas, invenções impertinentes e despropositadas...) para que as pessoas sintam, liguem-se, “participem”... Mas, tudo isto somente liga a assembleia a si mesma. Não passa de uma exaltação subjetiva e sentimental! Aí não se abre de fato para o Silêncio de Deus, para Aquele que vem nos surpreender com sua glória e sua ação silenciosa, profunda, consistente e transformadora. A assembleia já não celebra com a Igreja de todos os tempos e de todos os lugares; muito menos com a Igreja celeste!
O sentido da liturgia é um outro: é um culto prestado a Deus porque ele é Deus! O interesse é Deus! A liturgia é algo devido a Deus e instituído pelo próprio Deus. Quando alguém participa de uma liturgia celebrada como a Igreja determina e sempre celebrou, se reorienta, se reencontra, toma consciência de sua própria verdade: sou pequeno, dependente de Deus e profundamente amado por ele: nele está minha vida, meu destino, minha verdade, minha paz. Nada é mais libertador que isso.
Vê-se a diferença entre essas duas atitudes ante a realidade litúrgica: na visão que se está difundindo, criamos uma sensação, uma ilusão. É algo parecido com a sensação de bem-estar que se pode sentir diante de uma paisagem bonita, num bloco de carnaval, num show, num momento sublime, numa noite com a pessoa amada... Na perspectiva que a Igreja sempre teve e ensinou, não! Estamos diante da Verdade que é Deus; verdade que não produzimos nem inventamos, mas vem a nós e enche o nosso coração! Devemos procurá-la? Certamente sim: "Fizeste-nos para ti, Senhor, e nosso coração andará inquieto enquanto não descansar em ti!" Mas para isto é indispensável a capacidade de silêncio, de escuta, de abrir os olhos do coração para a beleza de Deus. A liturgia nos dá isto!


Mais uma vez o tema da Cruz do Altar - 2


Cada vez menos é Deus que se encontra em destaque, cada vez mais importância ganha tudo o que as pessoas aqui reunidas fazem e que em nada se querem submeter a um “esquema prescrito”. 
A cruz deveria encontrar-se no meio do altar, sendo o ponto de vista comum para o sacerdote e para a comunidade orante. Assim, seguimos a antiga exclamação de oração no limiar da Eucaristia “Conversi ad Dominum” - voltai-vos para o Senhor. Desta maneira olhamos juntos para Aquele cuja morte rasgou o véu – para o que está diante do Pai por nós e que nos abraça, fazendo de nós templos vivos. Considero as inovações mais absurdas das últimas décadas aquelas que põem de lado a cruz, a fim de libertar a vista dos fiéis para o sacerdote. Será que a cruz incomoda a Eucaristia? Será que o sacerdote é mais importante que o Senhor? Este erro deveria ser corrigido o mais depressa possível, não sendo precisas para isso nenhumas reconstruções. O Senhor é o ponto de referência. Ele é o Sol nascente da História. A cruz pode ser a da paixão, que presencia Jesus que por nós deixou transpassar seu lado, donde derramou sangue e água – eucaristia e batismo – tal como pode ser a cruz triunfal, que reflete a ideia do regresso, guiando o nosso olhar para Ele. Pois é sempre o mesmo Senhor Jesus Cristo, é sempre o mesmo ontem, hoje e por toda a eternidade (Hb 13,8).

Joseph Ratzinger - Introdução ao espírito da Liturgia


Mais uma vez o tema da Cruz do Altar - 1



Caro leitor, algumas coisas é sempre bom lembrar... Trazemos novamente para reflexão o tema da Cruz do Altar, que por vezes, tem se tornado causa de transtornos em algumas comunidades paroquiais e dioceses. Queremos novamente com esses textos (o 2º é do Vaticano) ajudar você e sua comunidade a caminhar em sintonia e comunhão com a Igreja Universal. Não queremos outra coisa, a não ser caminhar com a Igreja. 
Humildemente pedidos a todos que não deturpem o pensamento do Santo Padre e do seu Magistério. 
Novamente colocamos em anexo algumas fotos, para exemplificar o arranjo tal como ele é, e assim, tirar a fantasia de muita gente, que diz que o Santo Padre e o Vaticano não usam o tal arranjo. 



O arranjo do crucifixo com velas sobre o altar está orientado no Cerimonial dos Bispos e na Instrução Geral ao Missal Romano. Na IGMR nº117:"O altar deve ser coberto pelo menos com uma toalha de cor branca. Sobre o altar ou perto dele, dispõem-se, em qualquer celebração, pelo menos dois castiçais com velas acesas, ou quatro ou seis, sobretudo no caso da Missa dominical ou festiva de preceito, e até sete, se for o Bispo diocesano a celebrar. Igualmente, sobre o altar ou perto dele, haja uma cruz, com a imagem de Cristo crucificado. Os castiçais e a cruz ornada com a imagem de Cristo crucificado podem ser levados na procissão de entrada. Também se pode colocar sobre o altar o Evangeliário, distinto do livro das outras leituras, a não ser que ele seja levado na procissão de entrada." ou ainda o nº 122." Ao chegarem ao altar, o sacerdote e os ministros fazem uma inclinação profunda. A cruz adornada com a imagem de Cristo crucificado e levada na procissão (povo peregrino que caminha com o seu Senhor) pode colocar-se junto do altar, para se tornar a cruz do altar...".
O Santo Padre Bento XVI é quem tem insistido, pela Sagrada Tradição - não como lei, mas como conselho e pedido - que se coloque o crucifixo no centro, voltado para o celebrante. Basta ver, por exemplo, o livro dele "Introdução ao Espírito da Liturgia". O Santo Padre tem insistido na hermenêutica da continuidade e não da ruptura. 
Novamente a IGMR nº 296. "O altar, em que se torna presente sob os sinais sacramentais o sacrifício da cruz, é também a mesa do Senhor, na qual o povo de Deus é chamado a participar quando é convocado para a Missa; o altar é também o centro da ação de graças celebrada na Eucaristia." E também o nº 297.  "A celebração da Eucaristia em lugar sagrado faz-se sobre o altar... coberta sempre com uma toalha e o corporal, e com a cruz e os candelabros.". É interessante no documento da Instrução Geral do Missal Romano, a insistência com a Cruz. Veja o nº 308. "Sobre o altar ou junto dele coloca-se também uma cruz, com a imagem de Cristo crucificado.... Convém que, mesmo fora das ações litúrgicas, permaneça junto do altar uma tal cruz, para recordar aos fiéis a paixão salvadora do Senhor." (Lembre-se o que disse acima: (O Santo Padre Bento XVI é quem tem insistido, pela Sagrada Tradição - não como lei, mas como conselho e pedido - que se coloque o crucifixo no centro, voltado para o celebrante). 

E ainda o da Santa Sé:


O Compêndio do Catecismo da Igreja Católica no nº 218, faz a seguinte pergunta: "O que é a liturgia?" E responde:

A liturgia é a celebração do Mistério de Cristo e em particular do Mistério pascal. Nela, através do exercício do ofício sacerdotal de Jesus Cristo, com sinais se manifesta e se realiza a santificação do homem e é exercido pelo Corpo Místico de Cristo, que a cabeça e os membros, o culto público devido a Deus.

A partir desta definição, entendemos que o centro da ação litúrgica da Igreja é Cristo, Sumo e Eterno Sacerdote, e seu mistério pascal da Paixão, Morte e Ressurreição. A celebração litúrgica deve ser a transparência dessa verdade teológica. Por muitos séculos, o símbolo escolhido pela Igreja para a orientação do coração e do corpo durante a liturgia é uma representação de Jesus crucificado.

A centralidade do crucifixo na celebração do culto divino é mais proeminente no passado, quando existia a tradição de que o padre e os fiéis durante a celebração eucarística estavam voltados para o crucifixo no centro, acima do altar, que era geralmente contra a parede. Para o costume de celebrar o atual "versus populum", muitas vezes, a cruz está localizada ao lado do altar, perdendo a sua localização central.

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O então teólogo e cardeal Joseph Ratzinger, tinha reiterado que, mesmo durante a celebração "versus populum", o crucifixo devia se mantido na sua posição central, mas é impossível pensar que a imagem do Senhor crucificado - que exprime o seu sacrifício e então o significado mais importante da Eucaristia - pudessem ser de alguma maneira perturbadora. Depois de se tornar Papa, Bento XVI, em seu prefácio ao primeiro volume de sua "Gesammelte Schriften", disse que estava feliz pelo fato que se estava fazendo sempre mais vezes a sua proposta em seu famoso ensaio "Introdução ao Espírito da Liturgia". Esta proposta foi a sugestão de "não avançar com novas transformações, mas simplesmente pôr a cruz no centro do altar, para que esta possa assistir ao mesmo tempo sacerdote e fiéis, para serem orientados, assim, para o Senhor, a Quem nós oramos juntos."
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O crucifixo no centro do altar nos mostra o esplendor do significado da sagrada liturgica, que podem ser resumidas no nº 618 do Catecismo da Igreja Católica, uma parte que termina com uma citação agradável de Santa Rosa de Lima:

A cruz é o único sacrifício de Cristo, "único mediador entre Deus e os homens" (1Tm 2,5). Mas, pelo fato de que, na sua Pessoa Divina encarnada, "de certo modo uniu a si mesmo todo homem" (Concílio Ecumênico Vaticano II, Gaudium et Spes, 22), "oferece a todos os homens, de uma forma que Deus conhece, a possibilidade de serem associados ao Ministério Pascal. (ibid.). Chama a seus discípulos a "tomar a cruz e a segui-lo" (Mt 16, 24), pois "sofreu por nós, deixou-nos um exemplo, a fim de que sigamos os seus passos" (1Pd 2, 21). Quer associar a seu sacrifício redentor aqueles mesmos que são os primeiros beneficiários dele. (cf. Mc 10,39 João 21,18-19; Col 1:24). Isto realiza-se de maneira suprema em sua Mãe, associada mais intimamente do que qualquer outro ao mistério do seu sofrimento redentor. (cf. Lc 2,35).

"Fora da Cruz, não existe outra escada por onde subir ao céu". (Santa Rosa de Lima, cf. P. Hansen, Vita mirabilis, Louvain 1668).

Fonte: Vaticano
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A mitra


Origem e desenvolvimento
A origem da mitra está em Roma. Entre as vestes não-litúrgicas próprias do papa, encontramos o camelauco. Este se constituía de um pequeno barrete, que passou do uso profano às vestes do papa no início do século VIII, tendo sido citado pela primeira vez durante o Pontificado de Celestino I no "Liber Pontificales".

O formato inicial do camelauco era cônico e era produzido em seda branca. Seu uso se dava principalmente durante as procissões solenes. E foi dessa forma que a mitra teve sua origem. O papa passou a não usar a cobertura para a cabeça não apenas na procissão, mas na celebração que se seguia, geralmente a Santa Missa.

Nesse momento a mitra era um distintivo do papa. Só tempos mais tarde que a mitra passou a ser insígnia episcopal. E, apenas no século XI, que a mitra passou a ser usada também pelos cardeais, ainda que não fossem bispos.
 As partes da mitra latina
A mitra latina, usado no Rito Romano e noutros ritos ocidentais, é munida de duas partes em formato aproximado de pentágono, cada um denominado cúspide; assim, dizemos que a mitra latina possui formato bicúspide.As cúspides apontam para cima e simbolizam que é de lá que provém a autoridade e a dignidade do bispo.

As cúspides estão unidas pelas laterais, na parte inferior e por um tecido no interior da mitra, o forro. Embora hajam variações, ste é geralmente da cor vermelha, sibolizando o Espírito Santo que assiste e aconselha o prelado em seu ministério.

Em destaque o forro dourado da mitra do papa Bento XVI 

O então cardeal Ratzinger utilizando mitra com forro vermelho

Na parte posterior, ficam suspensas duas pequenas tiras munidas de franjas, ínfulas. Essas, segundo a tradição litúrgica têm o significado atrelado ao da estola. Enquanto a última significa o poder sacerdotal, as primeiras simbolizam a plenitude do sacerdócio. Também as ínfulas são forradas.

Mitra mostrando o formato da cúspide e também as ínfulas pendentes

Mitra simples do Papa

A mitra dita simplex usada pelo Sumo Pontífice é, como todas as demais, eminentemente branca, possui, porém, tanto na parte da frente quanto na de trás um estreito contorno dourado, as ínfulas são brancas e possum também um contorno dourado, além de franjas dessa cor.

 Mitra simples pontifícia sendo usada no funeral de um cardeal

 Papa usando mitra simples na quarta-feira de cinzas

 
Bento XVI usando mitra simples de maiores proporções

Uso da mitra nas celebrações
A mitra é um dos paramentos com mais complexo ritual. Uma regra geral para usar ou tirar a mitra é o costume apostólico que os homens tem o dever de orar descobertos, assim o bispo tira a mitra para as orações.
Uso na forma Ordinária
No novus ordo,  a mitra é uma só na mesma ação litúrgica. Como já foi dito, existem apenas dois tipos: simples e ornada. Usa-se a simples na Quarta-feira de cinzas, Sexta-feira santa, nas estações quaresmais, no rito de inscrição do nome, na comemoração de todos os fiéis defuntos, nos ritos exequiais e missas pelos mortos. Em todos os outros dias e celebrações, usa-se mitra ornada.

Dentro das celebrações, o bispo usa mitra quando está sentado, quando faz a homilia, as alocuções e os avisos, quando abençoa solenemente o povo, quando faz gestos sacramentais e quando vai nas procissões; e não usa nas preces introdutórias, nas orações presidenciais, na oração universal, durante a oração eucarística, durante os hinos cantados de pé, nas procissões em que se leva o Santíssimo Sacramento ou Relíquias da Santa Cruz e ainda, diante do Santíssimo Sacramento exposto.

De maneira prática podemos dizer que, na missa:
  • O bispo entra com a mitra;
  • Retira a mitra antes da reverência ao altar;
  • Recebe a mitra imediatamente antes da primeira leitura;
  • Retira depois da bênção do diácono;
  • Recebe para a homilia;
  • Depõe para o credo ou preces, se for o caso;
  • Recebe para receber as oferendas;
  • Retira ao chegar no altar;
  • Recebe depois da oração depois da comunhão;
  • Retira-se usando mitra.
Nas Vésperas (de forma semelhante nas Laudes):
  • O bispo entra com a mitra;
  • Depõe ao subir ao presbitério;
  • Coloca no início da salmodia;
  • Retira após abençoar o incenso para o Magnificat;
  • Recebe após a oração, para a bênção;
  • Retira-se usando mitra.

Conclusão

A mitra é, apesar de seus muitos tipos e complexo cerimonial, é uma insígnia de significado muito simples: autoridade. Não poder temporal, mas autoridade pastoral. Se o báculo representa a missão do bispo de pastorear o povo, a mitra representa a autoridade que lhe foi dada para desempenho deste ministério. 

Assim, o uso da mitra nas celebrações, não apenas na catedral, mas também ao visitar cada uma das paróquias, é de grande proveito pastoral. Primeiro porque embeleza e enriquece a liturgia, tornando mais próxima dos fiéis a glória celeste; depois por que faz com que o bispo seja visto como Sumo-Sacerdote, uma distinção clara, que até aos menos esclarecidos faz entender o caráter distinto do bispo em relação aos seus presbíteros.

BIBLIOGRAFIA:
  • Caeremoniale Episcoporum, edição de 1886, Liber Primus, caput XVII;
  • Caeremoniale Episcoporum, edição de 1984, caput IV, n.60;
  • The Catholic Encyclopedia, mitre;
  • Forun Cattolici Romani, Dizionario Liturgico, mitra;



    Fonte: Salvem a Liturgia

Ano Litúrgico


 Aspectos Básicos


O ano litúrgico vive cada acontecimento; por exemplo, Cristo Nasce novamente no meio de cada uma das famílias no Natal, ou o Espírito Santo desce novamente sobre nós no Pentecostes.

O Ano Litúrgico começa no primeiro domingo do Advento e segue ciclos (Natal, Páscoa, Comum...) até a Solenidade de Cristo Rei do Universo, quando termina.

Os Ciclos que compõe o ano litúrgico são:


Ciclo do Natal
Tempo Comum I
Ciclo da Páscoa
Tempo Comum II


 CICLO DO NATAL

Tempo do Advento: Começa no 1º domingo do Advento e termina no dia 24 de dezembro à tarde. Traz a mensagem da vinda de Cristo e, com isso, nos prepara para o Natal do Senhor. Sua cor Predominante é o roxo (exceto no Gaudette que é o terceiro domingo do Advento quando a cor é o róseo)

Tempo do Natal: Começa no dia 24 à tarde e termina na Festa do Batismo do Senhor. Traz a mensagem de que o Filho de Deus se faz homem para nos salvar. Sua cor é o branco (ou dourado)

TEMPO COMUM

Tempo comum (1ª parte): Começa na segunda-feira após o Batismo do Senhor. Traz a mensagem de esperança e escuta da Palavra de Deus. Sua cor é o verde.

CICLO DA PÁCOA

Tempo da Quaresma: começa na quarta-feira de cinzas e termina na quarta-feira da Semana Santa. Traz a mensagem de penitência e sacrifício; rememora os 40 dias que Jesus passou no deserto. No Brasil há também nesse período a Campanha da Fraternidade que trata de diversos assuntos ligados à Igreja ou à sociedade. Sua cor predominante é o roxo (exceto no Letarie que é o quarto domingo da Quaresma quando a cor é o róseo).

Tríduo Pascal: começa na Quinta-feira Santa e vai até o Sábado Santo. É a época mais importante para o catolicismo; a partir dela se determina todo o ano litúrgico. Nela revivemos toda a Paixão de Nosso Senhor. Suas cores são o Vermelho na Sexta-feira Santa e o Branco na Quinta-feira Santa e no Sábado Santo.

Tempo da Páscoa: Começa no Domingo de Páscoa e termina no Pentecostes. Traz a mensagem do Cristo Ressuscitado e da nova aliança selada no meio de nós. Sua cor predominante é o Branco. 

O Pentecostes: É uma Solenidade celebrada 50 dias após a Páscoa. Revivemos nele o momento no qual o Espírito Santo desce sobre os discípulos. Sua cor é o Vermelho.

TEMPO COMUM

Tempo Comum (2ª parte): Inicia na segunda-feira após o Pentecostes e termina na véspera do 1º domingo do Advento. Sua cor é o verde.

 AS CORES LITÚRGICAS

O Verde: Simboliza o crescimento e a esperança. É usada no Tempo Comum.

O Roxo: É símbolo da penitência e da conversão. É usada nos tempos do Advento e da Quaresma, e também nas Missas dos Fiéis Defuntos e no sacramento da confissão.
 
O Branco: Simboliza alegria, ressurreição, vitória, pureza. É usado na Páscoa, no Natal, nas solenidades e festas do Senhor, nas festas de Nossa Senhora,de São João Batista e dos santos (exceto dos apóstolos e dos mártires).

O Vermelho: Lembra o fogo do Espírito Santo e também o sangue dos Mártires. É a cor usada na liturgia dos apóstolos (exceto S. João evangelista), dos mártires, no Domingo de Ramos, na Sexta-feira Santa e no Pentecostes.

O Róseo: A cor pode ser usada no 3º domingo do Advento e no 4º domingo da Quaresma. Simboliza uma breve pausa, um certo alívio no rigor da penitência da Quaresma e na preparação do Advento.

Preto: É sinal de tristeza e luto. Antigamente era usada na Sexta-feira Santa (hoje se usa o vermelho que simboliza o sangue de Cristo) simbolizando o luto pela morte de Cristo, bem como nas missas pelos fiéis defuntos.

 AS LEITURAS

A Igreja estabeleceu uma seqüência de leituras bíblicas que se repetem a cada três anos, nos domingos e nas solenidades. As leituras desses dias são divididas em ano A, B e C:

No ano A lêem-se as leituras do Evangelho de São Mateus;
No ano B, o de São Marcos;
No ano C, o de São Lucas;

Já o Evangelho de São João é reservado para as ocasiões especiais, principalmente as grandes Festas e Solenidades.

Nos dias da semana do Tempo Comum, há leituras diferentes para os anos pares e para os anos ímpares, tirando o Evangelho. Deste modo, os católicos, se acompanharem a liturgia diária, em três anos terão lido quase toda a Bíblia.

 HIERARQUIA DAS CELEBRAÇÕES

Solenidade: A Igreja soleniza determinadas datas ou acontecimentos porque esses têm uma estreitíssima ligação com a Aliança de Cristo para conosco. É o caso da Páscoa e do Natal.

Festa: São acontecimentos importantes para a Igreja, que merecem um destaque especial, como é o caso das festas dos apóstolos e outros santos que tiveram uma importância grande para a construção de nossa Igreja.

Memória (Memória Obrigatórias e Facultativas): Recordam santos ou santas que marcaram a vida da Igreja de algum modo. Exemplo: São Pio, Santo Antônio de Santana Galvão.

Férias: São aqueles dias da semana que não têm nenhuma indicação especial das comemorações acima mencionadas.

O poder atrativo da beleza litúrgica

Entra-se na Igreja por duas portas: a porta da inteligência e a porta da beleza. A porta estreita... é a da inteligência; ela está aberta para intelectuais e acadêmicos. A porta mais larga é a da beleza. Henri Charlier disse, na mesma linha, que "é necessário perder a ilusão de que a verdade pode se comunicar frutuosamente sem aquele esplendor que é da mesma natureza que ela e que se chama beleza" (L'Art et la Pensee).

A Igreja, em seu insondável mistério como esposa de Cristo, o Kyrios da Glória, tem necessidade de uma epifania terrena (isto é, uma manifestação) acessível para todos: esta é a majestade de seus templos, o esplendor de sua liturgia e a doçura de seus cantos.

Pegue um grupo de turistas japoneses visitando a Catedral de Notre Dame em Paris. Eles olham para a altura dos vitrais, a harmonia das proporções. Suponha que num dado momento, ministros sagrados paramentados com capas de veludo bordadas entram em procissão para as Vésperas solenes. Os visitantes assistem em silêncio; estão extasiados: a beleza abriu-lhes as portas. Ora, a Summa Theologica de São Tomás de Aquino e Notre Dame em Paris são produtos da mesma era. Eles dizem a mesma coisa. Mas qual dos visitantes leu a Summa de São Tomás? O mesmo fenômeno é encontrado em todos os níveis. Os turistas que visitam a Acrópolis em Atenas são confrontados com uma civilização de beleza. Mas quem dentre eles pode entender Aristóteles?

E assim também é com a beleza da liturgia. Mas do que qualquer outra coisa, é ela que merece ser chamada de o esplendor da verdade. Ela abre tanto para o pequeno como para o grande os tesouros de sua magnificência: a beleza da salmodia, os cantos e textos sagrados, as velas, a harmonia de movimento e a dignidade ao carregar objetos. Com arte soberana a liturgia exerce uma verdadeira influência sedutora sobre as almas, tocando-as diretamente, antes mesmo de o espírito perceber a sua influência.


Dom Gerard Calvet, OSB - Four Benefits of the Liturgy
 

O Crucifixo no centro do altar


O Compêndio do Catecismo da Igreja Católica no nº 218, faz a seguinte pergunta: "O que é a liturgia?" E responde:

A liturgia é a celebração do Mistério de Cristo e em particular do Mistério pascal. Nela, através do exercício do ofício sacerdotal de Jesus Cristo, com sinais se manifesta e se realiza a santificação do homem e é exercido pelo Corpo Místico de Cristo, que a cabeça e os membros, o culto público devido a Deus.

A partir desta definição, entendemos que o centro da ação litúrgica da Igreja é Cristo, Sumo e Eterno Sacerdote, e seu mistério pascal da Paixão, Morte e Ressurreição. A celebração litúrgica deve ser a transparência dessa verdade teológica. Por muitos séculos, o símbolo escolhido pela Igreja para a orientação do coração e do corpo durante a liturgia é uma representação de Jesus crucificado.

A centralidade do crucifixo na celebração do culto divino é mais proeminente no passado, quando existia a tradição de que o padre e os fiéis durante a celebração eucarística estavam voltados para o crucifixo no centro, acima do altar, que era geralmente contra a parede. Para o costume de celebrar o atual "versus populum", muitas vezes, a cruz está localizada ao lado do altar, perdendo a sua localização central.

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O então teólogo e cardeal Joseph Ratzinger, tinha reiterado que, mesmo durante a celebração "versus populum", o crucifixo devia se mantido na sua posição central, mas é impossível pensar que a imagem do Senhor crucificado - que exprime o seu sacrifício e então o significado mais importante da Eucaristia - pudessem ser de alguma maneira perturbadora. Depois de se tornar Papa, Bento XVI, em seu prefácio ao primeiro volume de sua "Gesammelte Schriften", disse que estava feliz pelo fato que se estava fazendo sempre mais vezes a sua proposta em seu famoso ensaio "Introdução ao Espírito da Liturgia". Esta proposta foi a sugestão de "não avançar com novas transformações, mas simplesmente pôr a cruz no centro do altar, para que esta possa assistir ao mesmo tempo sacerdote e fiéis, para serem orientados, assim, para o Senhor, a Quem nós oramos juntos."

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O crucifixo no centro do altar nos mostra o esplendor do significado da sagrada liturgica, que podem ser resumidas no nº 618 do Catecismo da Igreja Católica, uma parte que termina com uma citação agradável de Santa Rosa de Lima:

A cruz é o único sacrifício de Cristo, "único mediador entre Deus e os homens" (1Tm 2,5). Mas, pelo fato de que, na sua Pessoa Divina encarnada, "de certo modo uniu a si mesmo todo homem" (Concílio Ecumênico Vaticano II, Gaudium et Spes, 22), "oferece a todos os homens, de uma forma que Deus conhece, a possibilidade de serem associados ao Ministério Pascal. (ibid.). Chama a seus discípulos a "tomar a cruz e a segui-lo" (Mt 16, 24), pois "sofreu por nós, deixou-nos um exemplo, a fim de que sigamos os seus passos" (1Pd 2, 21). Quer associar a seu sacrifício redentor aqueles mesmos que são os primeiros beneficiários dele. (cf. Mc 10,39 João 21,18-19; Col 1:24). Isto realiza-se de maneira suprema em sua Mãe, associada mais intimamente do que qualquer outro ao mistério do seu sofrimento redentor. (cf. Lc 2,35).

"Fora da Cruz, não existe outra escada por onde subir ao céu". (Santa Rosa de Lima, cf. P. Hansen, Vita mirabilis, Louvain 1668).

A MISSA E A CRUZ DO ALTAR

O arranjo do crucifixo com velas sobre o altar está orientado no Cerimonial dos Bispos e na Instrução Geral ao Missal Romano. Na IGMR nº117:"O altar deve ser coberto pelo menos com uma toalha de cor branca. Sobre o altar ou perto dele, dispõem-se, em qualquer celebração, pelo menos dois castiçais com velas acesas, ou quatro ou seis, sobretudo no caso da Missa dominical ou festiva de preceito, e até sete, se for o Bispo diocesano a celebrar. Igualmente, sobre o altar ou perto dele, haja uma cruz, com a imagem de Cristo crucificado. Os castiçais e a cruz ornada com a imagem de Cristo crucificado podem ser levados na procissão de entrada. Também se pode colocar sobre o altar o Evangeliário, distinto do livro das outras leituras, a não ser que ele seja levado na procissão de entrada." ou ainda o nº 122." Ao chegarem ao altar, o sacerdote e os ministros fazem uma inclinação profunda. A cruz adornada com a imagem de Cristo crucificado e levada na procissão (povo peregrino que caminha com o seu Senhor) pode colocar-se junto do altar, para se tornar a cruz do altar...".
O Santo Padre Bento XVI é quem tem insistido, pela Sagrada Tradição - não como lei, mas como conselho e pedido - que se coloque o crucifixo no centro, voltado para o celebrante. Basta ver, por exemplo, o livro dele "Introdução ao Espírito da Liturgia". O Santo Padre tem insistido na hermenêutica da continuidade e não da ruptura. 
Novamente a IGMR nº 296. "O altar, em que se torna presente sob os sinais sacramentais o sacrifício da cruz, é também a mesa do Senhor, na qual o povo de Deus é chamado a participar quando é convocado para a Missa; o altar é também o centro da ação de graças celebrada na Eucaristia." E também o nº 297.  "A celebração da Eucaristia em lugar sagrado faz-se sobre o altar... coberta sempre com uma toalha e o corporal, e com a cruz e os candelabros.". É interessante no documento da Instrução Geral do Missal Romano, a insistência com a Cruz. Veja o nº 308. "Sobre o altar ou junto dele coloca-se também uma cruz, com a imagem de Cristo crucificado.... Convém que, mesmo fora das ações litúrgicas, permaneça junto do altar uma tal cruz, para recordar aos fiéis a paixão salvadora do Senhor." (Lembre-se o que disse acima: (O Santo Padre Bento XVI é quem tem insistido, pela Sagrada Tradição - não como lei, mas como conselho e pedido - que se coloque o crucifixo no centro, voltado para o celebrante). 












Liturgia - Por Dom Henrique Soares

Caros amigos, segue um pequeno vídeo com Dom Henrique Soares - Bispo Auxiliar de Aracaju, no programa Escola da Fé da TV Canção Nova, no dia 05/05/2011. Vale apenas conferir...